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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Coragem

ARNALDO JABOR

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar:'Digam o que disserem, o mal do século é a solidão'.Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma.Parem pra notar... Os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros etransparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas esaem sozinhas.Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaramsucesso profissional e, sozinhos.Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos'personal dance', incrível.E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho semnecessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atletaolímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão'apenas' dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessamarcha de uma evolução cega.Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltara 'sentir', só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante denós.Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentosORKUT, o número de comunidades como:'Quero um amor pra vida toda','Eu soupra casar', até a desesperançada 'Nasci pra ser sozinho', unindo milhares oumelhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez maisestranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cadadia mais belos e mais sozinhos.Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegara escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar osfantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, demodê,brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecerridículos, abobalhados, e daí?Seja ridículo, não seja frustrado, 'pague mico', saia gritando e falandobobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra serfeliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muitobrega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca maisvolte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se umproblema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quêpensar nele.Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogadade sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada. O que realmente nãodá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar onosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: 'vamos terbons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois,vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza deque vou me arrepender pelo resto da vida'.

*Antes idiota que infeliz!*