Total de visualizações de página

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Hospital público - Parte I (Estou certa que terá mais)

Num golpe rápido, distendi um nervo, músculo ou quebrou alguma coisa no meu pé esquerdo. O que realmente aconteceu ainda não sei. O fato é que aconteceu pela manhã e eu aguardei até o início da noite para que alguém chegasse para me levar ao Hospital.
Chegando lá, em uns dos melhores hospitais de São Paulo, segundo a propaganda do governo (hahahah!) me deparo com a 'sala de espera' ao ar livre, isso mesmo. Não aguardam mais para fazer a ficha dentro do hospital, mas sim no lado de fora, quem se importa? Frio? Pessoas tossindo? Quem se importa?
Crianças para um lado, adultos para o outro, todos ao relento, naquele friozinho gostoso de outono, imagino no inverno que delícia!
Tratamento totalmente humanizado, um papel colado no vidro que diz "Aperte o botão e retire sua senha" outro papel colado dizia "Aguarde o chamado da senha". Não sei porque cargas d'água inventei de ler as letrinhas miúdas do papelzinho amarelo que dizia 378 (o número da senha) e "Tempo previsto de espera 341 minutos e 59 segundos". Meu acompanhante disse "_Olha, até que não demora muito, está no 369!" aí mostrei as letrinhas miúdas e informei "_Está vendo aquela salinha? Então, depois de chamarem aqui, fazemos a ficha e aí sim começam a valer os 341 minutos e 59 segundos de espera. Esse número 378 é só para fazer a ficha".
Aí fiz a ficha, nos sentamos. Cada minuto parecia uma hora. Aí sai uma moça lá de dentro, daquelas portas que parecem portas de açouque (e de fato o são) e diz em alto e bom som "_O médico não está atendendo! Ele está aí mas não está atendendo!!!" aí as defensoras do sistema político em vigor, aquelas conformadas com a própria desgraça cochicham "_Até parece, quando não estão atendendo, vem alguém do próprio hospital para falar!".
Ficamos por lá por uma hora mais ou menos, eu comecei a me incomodar com aquela falação toda, comecei a protestar contra o sistema e contra as conformadas com o sistema dizendo "_O povo não tem noção dos próprios direitos, nem sequer sabem que tem o direito assegurado por lei (que piada) de ter um acompanhante nas consultas, inclusive nas internações, se conformam com aqueles semi analfabetos dizendo que somente idosos e menores de idade podem ter alguém por perto, o resto não interessa, que fiquem horas e horas a fio lá sozinhas, aguardando inutilmente atendimento para o cara olhar pro seu pé ou para onde quer que seja e dizer que não vão engessar, enfaixar e te mandam tomar antiinflamatório. Os caras não querem gastar R$0,80 de faixa com o contribuinte e as conformadas acham que está certo 'não tirar o direito de quem precisa, afinal pode faltar faixa para o povo esfaqueado'.
Absurdo é pouco, pagar tantos impostos, não conseguir atendimento e chegar em casa, ligar a televisão e ouvir "São Paulo cada vez melhor" poxa vida! Revoltante!
Voltei para casa, sem atendimento mesmo, porém sem maiores preocupações. Comprei um chocolate, um Gelol e uma faixa.
Hoje meu pé está ainda pior que ontem, vou investir em um antiinflamatório para ver se melhora.
Continua...