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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Kit Gay do Mec



Aproveitando o gancho dos inúmeros protestos prós e contras sobre os vídeos que o Mec produziu, com intuito de diminuir a discriminação, vou tentar recordar os fatos mais remotos de que me lembro...
Esses vídeos (são 3) serão veinculados para crianças do 1ºgrau, ou seja, a partir dos 6 anos de idade. Pois bem, aos 6 anos de idade eu me lembro de algumas coisas que me influenciaram ou não a ser hoje o que eu sou.
A lembrança mais remota que eu tenho é a de ter uma roupa azul que tinham uns bolsinhos brancos, onde eu guardava moedinhas e andava chacoalhando pra ouvir o barulho, devia ter uns 3, 4 anos... nesta época me lembro de andar muito junto com o meu pai, foi nessa época também que me lembro de ter gritado meu primeiro palavrão. Tive meus motivos, a gente ia de caminhão assistir a um jogo do Coalhada (super time daqui de Itaquera), de repente, não mais que de repente meu pai desistiu de me levar e me desceu do caminhão e devolveu pra minha mãe que estava passando pela rua, só levou meu irmão... aí xinguei e fui pra casa, ficar horas trancada no banheiro com medo de apanhar da minha mãe... rsrs...
Disso tudo, ficou que ainda gosto muito da cor azul. Por muitos anos curti muito futebol, hoje em dia não curto mais, pois era corinthiana até 94, onde eles partiram meu coração (quem é corinthiano lembra) e eu resolvi começar a torcer pelo Acre ou qualquer time de um estado que não exista, rsrs...
Me lembro de ir sempre de trem com meu pai até o bairro do Brás, onde nasci. Ele me deixava na casa da minha avó, enquanto trabalhava no Posto de gasolina, depois me levava pra casa. Numa dessas viagens de trem, na volta, me lembro dele reclamar o tempo todo de falta de dinheiro, ele dizia 'tô fudido, tô duro!', o tempo todo, pra qualquer um que encontrasse, e nesse dia durante a viagem, naquele 'shopping trem' que ao que me lembro era muito maior do que é hoje, ele me perguntou 'não vai pedir nada? Nenhum doce?' e eu respondi alto e claro 'Ouvi você reclamar o tempo todo que tá sem dinheiro, vou pedir o que?', o vagão todo riu horrores e ele com vergonha disse 'Ah, mas pra um doce eu tenho, né!"...
Desse evento, aprendi que não se deve ficar reclamando das coisas, as pessoas ao redor podem pensar que você está muito pior do que já esta.
Me lembro muito das festas juninas do 'prézinho'. Acho que nem se fala mais 'prezinho', né? Enfim... lembro-me de que meus pares faltavam no dia da festa, eu ficava triste, chorava e borrava a maquiagem toda, saía nas fotos super emburrada!
Nem lembro o nome dessa professora, mas era super gente boa!
No ano seguinte, eu ia de novo! E de novo, e de novo... mesmo que o par não aparecesse!
O nome dessa tia é Sonia, adorava ela! Notem como já não tenho sequer uma pintinha de maquiagem! É... meu par não tinha aparecido de novo, mas eu já tinha tocado o 'foda-se'!
Dessas festas juninas todas, aprendi que pra me divertir, não precisava de mais ninguém. Danço quadrilha até hoje, já dancei até de patins sem nem saber andar direito com meus amigos na época, do Ibirapuera.
Por falar em lembranças e filmes que podem ou não influenciar uma criança. A primeira vez que fui ao cinema, fomos assistir 'Lua de Cristal', a mãe do Júnior Oliveira (nome de guerra) e da Paulinha levou todo mundo, o rolê foi ótimo, ainda mais com lanchinho no Bobs pra fechar com chave de ouro. Eu também não tinha ido ao Bobs antes. O que aprendi com esse passeio do cinema? A odiar a Xuxa, hahahahahaha!!!! Aprendi também que pequenos atos de amizade como esse podem ser eternos, como nossa relação até hoje!
Outro filme que me lembro bem de ter visto na escola, no primeiro ano foi o Dirty Dancing (olha eu entregando minha idade)... só me lembro de terem colocado um telão e o cheirinho de pipoca que estava ótimo, tinham feito com manteiga. Alguém faz isso hoje em dia em escola estadual??? Aprendi que filme com pipoca tem tudo a ver, e que casais com muita diferença de estatura são ridículos...
O que estou tentando dizer com tudo isso é que o chamado 'kit gay' com os filmes do Mec, foram feitos com a melhor das intenções. Busca diminuir realmente o preconceito. Me lembro bem de nessa época dos 7, 8 anos de idade, já ter uns garotos que só andavam com as meninas, que eram discriminados, lembro da vizinha que mora atrás da minha casa nunca ter colocado um vestido sequer, ela odiava, desde sempre! Hoje em dia ela mora com uma outra mulher. Ela SEMPRE foi assim.
Eu acho que ser hétero ou homo não é uma escolha, a gente já nasce assim e pronto! Só acho que o Mec aproveitou o gancho da união homoafetiva pra lançar os filmes. A sexualidade nasce com a gente. Chega de hipocrisia e pronto!